[DIÁRIO] Qua resurget ex favilla judicandus homo reus

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[DIÁRIO] Qua resurget ex favilla judicandus homo reus

Mensagem por Robert Eldredo de Kent em Dom Out 18, 2015 11:55 pm





Um dia em 2500

Multi morientur minime fallax et occulte. Ne qui Cantium et horrendum legimus commentarius Eldredo Roberti, immitis sola mors rogo.

"Muitas pessoas morrem por muito pouco, de formas indescritíveis e misteriosas. Não seja a pessoa que leu o diário de Robert Eldredo de Kent e teve uma morte horrível, impiedosa e solitária, eu lhe rogo."



Não posso mentir. É impossível para mim mentir a mim mesmo com tanta naturalidade. Deuses! Já não bastam os fingimentos que sou obrigado a aderir quando em sociedade? Dentro de mim não. Não mais.
Sinto-me um tanto perdido agora. Minha família se foi e apenas eu carrego o peso dos Eldredos. Sempre tive uma vida feliz, e agora aqui estou, degladiando-me internamente para coordenar meus pensamentos.
Melhor que eu inicie por onde tudo começou.

Minha família descende de grandes famílias nobres da Inglaterra e Irlanda, eu sei, dado a história isso é controverso, mas devo me orgulhar de dizer que o amor, se é que isto existe de fato, venceu e meus pais deram-me ao mundo.
Como dizia, Kent é a cidade natal de meu pai, e de seu pai e o pai dele, por muitas gerações. Somos nobres de sangue e de títulos, o que me rendeu um belo ducado e algum dinheiro. Minha mãe, era uma linda donzela irlandesa, cuja família teve boas conexões após a quarta guerra, o que lhes rendeu prestígio e respeito na Europa.
Sempre tiveram muito dinheiro, e como se sabe, no jogo do poder (ainda mais em um mundo pós guerra), não importa de onde você veio, importa o que você pode pagar. Admito que posso parecer maquiavélico, mas se há algo do que me orgulho é de nunca me deixar levar pela hipocrisia.
Francamente, me exaspera todo o jogo que se faz em volta de algumas pessoas. Ter ganho numa loteria genética não faz ninguém melhor que ninguém; e talvez seja por esses meus pansamentos tão ásperos que não sou tão convidado a bailes de gala ou mesmo a pequenas festas em família.
Meu pai costumava dizer que meu senso de humor é o de um palhaço triste (eu sei, é assustador) e minha mãe sempre sorria dizendo que eu era o Sr. Darcy que ela esperara por toda a sua vida, até se casar com o meu pai e esquecer qualquer fantasia com os livros de Jane Austen. Acho que ela era feliz assim.
Meu pai sempre fora muito comedido em seus atos, o que se refletia em seus negócios, que prosperavam; nossos investimentos estão em todas as áreas, mas sobretudo em alimentos, pois não importa se o mundo está em guerra, as pessoas precisam comer. Eu sei que o decepcionei ao escolher para mim um curso na área de Ciências Humanas. Filosofia, História, Sociologia e Antropologia, qualquer coisa que me deixasse fora da exploração ao ser humano.
Isso soa piegas, mas é a mais pura verdade. E sim, talvez fosse melhor que eu abdicasse ao meu direito na hereditariedade do título. Acredite-me, eu quase o fiz.
Isso foi há cerca de dois anos quando estávamos de férias na França. A cidade de Neufchâtel-en-Bray é linda no verão; e foi lá que meu pai pediu a mão de minha mãe em casamento, muitos anos atrás, e ao levar conosco minha namorada, pensei em repetir o ato de meu pai, e pedir a mão de Caterina em noivado. Acontece que os tempos mudaram.
As pessoas não gostam de ser governadas por monarcas narcisistas. Acreditávamos que esta fosse uma verdade universalmente conhecida.
Estávamos jantando em um restaurante de nome chique, a noite estava agradável e todos ríamos, quando um homem de capuz surgiu entre as mesas externas e começou a atirar, ao que parecia a esmo. Mas não era. Não era a esmo. Ele procurava por nobres e sabia onde encontrá-los.
Por um milagre, acabei sobrevivendo. E apenas isso, sobrevivi.
Caterina me olhou nos olhos antes de me deixar e meus pais morreram de mãos dadas, apoiando um ao outro até na hora mais escura.
Por muito tempo me perguntei da razão de ainda estar aqui enquanto eles se foram, mas depois de algum tempo desisti. Os investigadores disseram que o rapaz, tão jovem quanto eu, tinha algum tipo de distúrbio mental, e que esse caso fora pontual.
Mas...
Isso não faz diferença.
Minha nossa! Como isto tornou-se melancólico!
Após estes acontecimentos que lhe descrevi, eu, que não possuo nenhum irmão (que eu saiba), herdei título e propriedades. E embora eu seja naturalmente inglês, em respeito à minha mãe e sua família que tanto beneficiaram e financiaram a Irlanda, conferiram-me o título de Duque de Kent e Leinster.
É um favor lisonjeiro, lembro-me todos os dias. Mas como disse, o jogo social e de poder não é algo a que eu ache que um dia possa me adequar; mas acredito que seja algo bom, afinal. Gosto de pensar que não me deixei corromper.

notes: party pool music: problem :v tagged: #peoples


THANK YOU SECRET!

_________________



Do I Wanna Know?
if this feeling flows both ways

.soph.


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Robert Eldredo de Kent

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