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Mensagem por Liesel Rüdenhausen em Ter Set 15, 2015 8:45 pm

Decididamente, eu sei ser animada, sei ser amável. Agradável. Afável. E esses são apenas os As. Só não me peça para ser simpática. Simpatia não tem nada a ver comigo.
Liesel Rüdenhausen é a própria e perfeita definição de flor. A pele lisa e macia, clara como os primeiros raios de luz. O nariz pequeno e arrebitado, os lábios bem delineados, as bochechas como a de um bebê, ligeiramente rosadas. Seus cabelos são finos como fios delicados de seda, independentemente de quantas alterações ela faça nele – e elas são bastante frequentes. Parece realmente pequena, mas sua estatura é mediana. O corpo sem muitas curvas lhe dá um ar juvenil, mas há algo em seus olhos tão antigo quanto o mundo. Liesel é atemporal. Anda com a graça de uma bailarina. Todos os seus gestos são como a mais fina porcelana. Um toque. Um único toque, e ela quebraria por inteiro. Infelizmente, muito julgamento se faz apenas pela aparência de uma pessoa. Não há nada de porcelana em sua alma. Não há nada de vidro fino e luz do sol em seu coração. Liesel é toda forjada a ferro, mesmo que não saiba disso. E mesmo que possua uma constituição tão severa, ainda é um mar de delicadeza. Ainda é uma boneca. Liesel é doce. Herdou toda a bondade de sua mãe, todo o encanto de seu pai. Liesel é o melhor de dois mundos. Liesel é a única coisa que ainda liga os dois.
Este diário pertence a ela. Caso o encontre, não se dê ao trabalho de devolver.



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Re: {DIÁRIO} Faça de conta que tem um título interessante aqui.

Mensagem por Liesel Rüdenhausen em Ter Set 15, 2015 9:08 pm

Funebribus
Eu acho que deveria ter mais paciência com o mundo.

─ Eu já li algumas dezenas de coisas sobre diários, o que me leva a pensar que eu deveria inserir aqui, no início, uma saudação leve, possivelmente informal. ─  Alguma coisa que denotasse todo o meu apego a um caderno, e o quanto eu anseio por escrever sobre... Sobre qualquer coisa. O que é para se escrever aqui, eu não faço ideia. Não me leve a mal, eu nunca escrevi um diário. Oh, certo, aqui diz que eu devo expressar pensamentos, desabafar sobre o que estou sentindo, contar sobre o meu dia... Essa expressão é engraçada “tal como um amigo”.

Como se alguém chegasse em um amigo dizendo “Querido amigo, hoje eu me diverti bastante. Visitei os meus avós e fiz algumas amizades novas. Mas eu me senti um pouco irritado com o meu tio Francis -  Como ele pôde ser tão grosseiro durante o jantar?”

Não.

Ninguém faz isso.

Continuo não fazendo ideia do que é que eu deveria escrever aqui.

Por falta do que pôr, eu pensei em alguma coisa básica; a história de minha família, algo assim. Eu nunca contei a ninguém, e talvez seja interessante deixá-la registrada.

A casa de Rüdenhausen é antiga. Nossas raízes são datadas há milhares de anos, embora, em algum momento, desapareceu, renascendo trezentos anos depois. Não estamos criteriosamente no ducado – já fomos de poderosos monarcas a mordomos. Porém, independente de que posição ocupamos, jamais estamos longe da realeza, o que provavelmente justifica o fato de desde que me lembro, sempre estive no palácio – até agora, ao menos.

Sou filha de Frederich e Helena Rüdenhausen. Ela provavelmente nem sempre se chamou assim, mas abriu mão de seu sobrenome quando se casou. Eu gostaria de ter apenas esse sobrenome há tanto perdido.

Às vezes, ser um Rüdenhausen pode ser irritante.

• AS REGRAS DA CASA RÜDENHAUSEN •
Todo Rüdenhausen deve ser, obrigatoriamente, nascido na Alemanha
independentemente de qual seja o país em que resida o resto de sua vida.
Todo Rüdenhausen deve manter em mente o respeito a honra, família e tradição.
São os três pilares que sustentam a glória germânica.
Um Rüdenhausen precisa servir com toda a sua fibra não apenas a Alemanha, como ao país em que reside. (Significa que minha família tem dever maior com a Alemanha, mas isso não nos faz menos Coreanos, e menos leais a essa monarquia. Se precisamos nos apresentar, fazemo-los como Norte Coreanos.)
São tão confusas para você quanto para mim? Alemães são malucos.

Nascemos, crescemos e somos criados para ter como objetivo principal servir a nossa pátria, a Alemanha e ao país no qual moramos. Temos nomes famosos em nossa família. Bravos generais, astuciosas mulheres. Existe um peso de responsabilidade de milhares de anos em cima de cada um de nós. É estranho sentir como se eu tivesse de fazer as coisas gloriosamente, por conta de meu nome, e dos feitos antepassados. Comer gloriosamente. Portar-se gloriosamente. Dormir gloriosamente. Ser tão gloriosa quanto a própria glória. Se eu disser glória ou algum de seus derivados mais uma vez, vou ter um colapso.

Não faço ideia de quando comecei a estudar.

Música. Arte. Política. História. Balé. Línguas estrangeiras. Literatura. Hipismo. Besteira. Besteira. Besteira.

Não é que eu gostaria de ser uma alienada, não. Até gosto de estudar e saber das coisas. Mas, você já teve a sensação de que estão enchendo sua cabeça de conhecimento completamente inútil? Se algum dia o palácio explodir, de que vai me adiantar saber de trás para frente a lista de Rüdenhausen que estiveram no trono? E se bruxas nos atacarem? Vou defender a minha amada pátria executando piruetas?

Acho que o ponto disso tudo, é que, apesar de minha cabeça estar cheia de conhecimento, a verdade é que eu não sei de absolutamente nada. Não entendo do mundo. Não existe essa disciplina.

Apesar de não saber de nada, sinto que sou diferente dos que me cercam. Não é pretensão. Não é prepotência, mas o contrário; tenho a ideia fixa de que o mundo jamais se curvará para mim como meus serviçais, ou como eu me curvo para os monarcas. Perante as leis de vida e da morte, não há nome, posição política, origem, idade, condição social, nada que valha alguma coisa. Porque, no fundo, nós somos todos iguais, e vamos exatamente para o mesmo lugar.  

Mas não pense que sou algum tipo de criança sábia, moral, centrada, e alguma espécie de pessoa revolucionária.

Aos cinco anos, pedi ao meu pai um cavalo cor-de-rosa, só porque sabia que, independente da natureza e extensão de meus pedidos, eles seriam realizados.

E eu era uma criança bastante fantasiosa.

Talvez no fundo eu seja tão ignorante e mesquinha como todas as pessoas com as quais convivi.

Mas, vamos parar de falar de mim.

• ALGUNS DADOS SOBRE FREDERICH RÜDENHAUSEN •
É filho de um Grão-Duque. Seu título de nobreza veio por meio do sangue.
Reputação é tudo, segundo ele.
Temos um dever para com o nome de carregamos, e nada – nada – pode manchá-lo.
Um dos melhores espadachins do reino.
Foi dele de quem herdei os olhos nipônicos.
Eu o amo de todo meu coração



Papai tem uma reputação muito boa. É amado e respeitado. Nunca lutou em guerras, mas destaca-se como um excelente diplomata. Após ter assumido o cargo, nosso país melhorou em suas relações exteriores, e desenvolveu-se muito mais. Dizem que é pela sua capacidade de oratória, e aparência impecável. Sabe entreter e convencer a qualquer um. Eu gostaria de saber me portar tão bem como ele. Meu pai é exatamente tudo o que me dizem para ser.

• ALGUNS DADOS SOBRE HELENA RÜDENHAUSEN •
É duquesa também. Não por ter se casado com meu pai, mas por ser filha de um general honrado, cujo ducado lhe foi dado pelos magníficos serviços prestados.
É austríaca.
Não existe ninguém mais gentil e bondosa em um raio de um bilhão de quilômetros, segundo meu pai.  
Também não existe ninguém mais bonita.
Eu gostaria que minha ela me amasse.



Teoricamente, era ela quem deveria acompanhar e cuidar de minha educação durante toda a minha vida. Ela não é a única mãe no palácio. Observei mães o suficiente para comprovar que tinha alguma coisa errada.

Talvez sejam meus olhos. Uma governanta já me disse isso. “Você é quase toda perfeita, Liesel. Quase toda inteira – mas estes seus olhos!”

Talvez minha mãe não me ame por causa de meus olhos. Os olhos de meu pai. Eu não entendo a razão.

• OS OLHOS DE LIESEL E DE SEU PAI •
São iguais. Igualzinhos.
Mas minha governanta me disse que os dele tem alguma coisa de inverno. Trevas escuras, neve tempestuosa.
O meu tem de primavera, de beijo de mãe e cheiro de bolo recém-saído do forno.
Eu gostaria que eles fossem violetas como o de minha mãe.
Mas são escuros. Escuros, tão escuros!
São duas pedras bem pretas. Eu não consigo ver coisa nenhuma dentro delas. Não sei onde minhas pupilas começam ou terminam. Há alguma coisa de luz no fundinho. Alguma coisa como a luz do sol. Um brilho engraçado.
Não tem brilho nenhum nos olhos de meu pai. Só a escuridão.
Mas suas trevas não me assustam.



Não é que Helena me tratasse mal. Não é que ela fosse uma mãe ruim. Ela só nunca me deu atenção o suficiente. E é importante que você entenda isso, para em seguida entender o motivo pelo qual tenho sentimentos tão negativos para com a duquesa de Liddel.

Tenho certeza de que isso soa bastante estúpido, mas acredito que qualquer criança tenha direito a uma mãe.

Mas ela não estava pronta. Era livre demais para prender-se a uma criança, quando podia estar ajudando milhares de outras, sendo a mãe de uma nação. Um coração tão puro, tão cheio de amor, que parecia mesquinhez acompanhar o crescimento de sua própria filha. Não. O mundo precisava de seu carinho. Liesel está bem. Liesel tem tudo o que quer. Liesel não precisa de mim.

Talvez a maior falha de minha mãe tenha sido não olhar para dentro de casa.
As coisas ficaram bem piores quando Liddel chegou.

• ALGUNS DADOS SOBRE ROSE LIDDEL •
Ela tomou o único fiapo de carinho materno que eu ainda tinha.
Eu a odeio.
Às vezes eu gostaria que ela morresse.



“Liesel, você está sendo ridícula. Rosie precisa de mim, você não vê? Não seja egoísta.”
Não é que eu gostaria que a garota fosse abandonada, longe disso. Mas ela foi capaz de fazer com que minha mãe passasse mais tempo em casa. Ela conseguiu fazer com que minha mãe lhe contasse histórias para dormir, pessoalmente lhe desse aulas, penteasse seus cabelos.

Para uma criança, isso é realmente terrível de entender.

Tentei fazê-la me amar. Tentei fazê-la esquecer de meus olhos. E eu me esforçava. E eu estudava. E eu me tornava cada vez mais delicada. Cada vez mais gloriosa. Todos me amavam. Não havia uma única alma que eu não conseguisse cativar.

Exceto a de Helena.

Assim, quem realmente cuidava de mim eram as minhas damas, governantas, e duquesas vizinhas. Com o maior prazer, enchiam-me de presentes, vestidos, mimos. Criaram-me como uma legítima boneca, e me ensinaram a agir como uma, e eu recebia grandiosos bailes em minha homenagem. Com o tempo eu me afastei de minha mãe, passando muito mais tempo na companhia das damas e de meu pai.

Uma existência indiscutivelmente vazia, não? Apesar disso, eu agradeço a ele por nunca ter ido embora, ou me abandonado como ela fez. Meu pai sempre foi a lembrança de que eu tenho família.

Apesar disso, quem está abandonando-o sou eu. Por muita insistência de Helena, Rose vai comigo.
Grande coisa inútil.

Não gostaria de abandonar minha amada Coréia. Minhas damas. Meu violão. Não gostaria de abandonar meu cavalo, que não é mais cor-de-rosa, porque a tinta saiu na primeira chuva.

São coisas pequenas. Coisas simples. Coisas fúteis. O mundo não se curvará diante de mim como seus empregados se curvam.

Mas são a minha vida. São tudo o que eu conheço, e tudo com o que estou acostumada. Eu nunca estive longe de meu pai. Nunca estive longe de casa.

E Rose ao meu lado só me fará macular as lembranças doces que tenho.
É. Eu não consigo ter paciência.

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